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MANDE O SEU ARTIGO HISTÓRICO QUE A GENTE PUBLICA No cinema
Aqueles filmes ou películas que diziam: Continua no próximo capítulo deixava muita gente apreensiva. Tinha que esperar a semana inteira para assistir ao final. Dia de sábado, o cinema ficava lotado. As películas estrangeiras, comédias, ação ou super-heróis como o Zorro, eram as preferidas. Mas os filmes brasileiros também não ficavam para trás. Dia de chanchada dispensava propaganda. Propaganda essa que era feita ao final de cada sessão, no boca-a-boca e em cartazes feito à mão e afixado nos principais pontos da cidade, nas farmácias, bancos, prefeitura. Para nós hoje, talvez achássemos tedioso assistir a um filme preto e branco, ainda por cima legendado. E o pior, umas legendas lentas que interrompiam o filme para aparecer. Mas na época o público adorava e sempre compareciam as sessões do cine-teatro. Cine-teatro sim, pois nessa época o cinema era uma espécie de centro de convenções da cidade e servia como teatro também. Os espetáculos teatrais muitas vezes antecediam aos filmes, enquanto o operador preparava os rolos de filmes para exibir. Até o final da década de 30 o cinema, denominado Cine-Teatro Itapira funcionava nas proximidades onde hoje é a Casa da Cultura. Mas em 1938 fechou e deu lugar a um novo cinema ainda maior, e que agora funcionaria na Avenida Presidente Vargas. O cinema era tão popular que para abrir um novo houve uma licitação pública, esse cinema deveria oferecer conforto, para no mínimo 300 pessoas, funcionar pelo menos 2 vezes por semana, aos sábados e aos domingos, inclusive com as sessões de matinês e deveria trazer também uma boa programação de filmes. Essas eram as exigências para quem quisesse ser dono do lugar mais freqüentado pela “alta sociedade” na época: O Cinema De 1940 para cá, o novo cinema, Cine-Teatro Vitória que posteriormente passou a se chamar Cine Lux, começou a funcionar regularmente na cidade. Com 300 lugares, a capacidade correspondia a 10% da população residente na cidade até a década de 50. Era muita gente! Gente feliz que sabia apreciar um bom filme. E fazia de tudo para não perder uma sessão. Tinha todos os dias, inclusive aos sábados, às 8 horas e aos domingos pela tarde e a noite. Com poucas opções de lazer, o Cine Lux era o ponto de encontro de muitas pessoas. E quantos romances não surgiram no escurinho do nosso cine-teatro? Nessa época, o cinema era para todos, tinha pra todos os gostos e bolsos, quem não podia ir no fim de semana ia no meio, quem não podia assistir ao lançamento (mais caro) ia nas reprises, o importante era não deixar de ir. Se o filme fosse bom, no outro dia era o assunto mais comentado da cidade. Tinha pessoas capazes de contar cada parte, cada detalhe do filme novamente. Alguns procuravam fazer amizade com o Seo Pereira, encarregado dos filmes e da portaria para vê se entrava de graça. Mas não tinha jeito! Era melhor assistir no meio da semana mesmo, Sera mais barato. O cinema era tão importante para época que até hoje é lembrado pela gente daquele tempo. Dona Elenízia que na década de 40 ainda era uma menina e estava empregada na casa do seu Vanderlino Bomfim diz que a sua patroa pedia para ela terminar os afazeres mais cedo que ela seria liberada para ir ao cinema. E na personagem de Dona Elenízia quantas pessoas não fizeram acordos para ir ao cinema. Se fosse dia de cinema brasileiro então. A partir da década de 60, a cidade pacata e organizada urbanisticamente deu lugar a uma outra urbe. Com novos bairros, favelas e uma população não muito grande, mas cerca de 10 vezes maior que aquela dos anos 40, por exemplo. "Para conhecer a História de Ubaitaba: Livro Traços e Retratos da Nossa História" |