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Mi-Careme

Talvez o nome soe estranho, mas era assim que se chamava os Micaretas de tempos atrás. Apesar de usarem caretas, todos queriam mesmo era ser reconhecidos como o destaque dessa festa. Nesses dias, era aquele fuzuê para vê quem conseguiria ser o cordão mais bonito, mais animado, a melhor prancha, escola de samba, melhor torcida, a mais organizada. Enfim, todos queriam aparecer na Micareta.


Micareta 1954 .......................................Prancha, década 60

E parece que todo mundo comparecia mesmo! Eram três dias de folia, caramanchões, desfiles, caretas, anilina, cordões, blocos, paquera e para os mais curtidores, bebida e lança perfume. Todos se apresentavam na praça João Pessoa e percorriam as principais ruas da cidade aqui e em Aurelino Leal. De dia a folia era aberta nas ruas, e a noite, no clube social ou em outros locais préprogramados pelos organizadores. O clube era para as “pessoas da sociedade” e o sindicato rural (em frente ao correio) era para aquelas da classe mais baixa.

São João

Você tinha a impressão que ia ter guerra, o que fazia aqui o outro não podia fazer, nos conta D. Nair, uma das organizadoras dos São Joãos passados. Ela nos diz que o sigilo era absoluto na preparação dos arraiás para esse festejo junino em nossa cidade. A ornamentação que começava no dia 1º de maio ia até a data do São João, todos queriam ser o melhor, o mais bonito e todos ficavam bonito mesmo. Eram três dias de algazarra e folia na Avenida Presidente Vargas. A animação ficava por conta de músicos locais e de diversas cidades circunvizinhas e a alegria tomava conta dos participantes dos Arraiáis.

São João

O São João até a década de 70 era o típico arrasta-pé, feito de casa em casa, com fogueiras e comidas típicas em todo lugar. Mas a partir de 1970 surgiu o arraial do Vem-quemquer. liderado por D. Nair, depois veio o Arraiá do Xorroxó com Heron Mendes e o Moxotó com Ivone Costa, além desses, outros também surgiram em diversos pontos da cidade. Contudo, só esses três se destacaram e ainda hoje são lembrados.

Santo Antonio

Além do São João uma outra festa tradicional na cidade era o Santo Antonio, festejo promovido pela Comunidade Católica local. Teve início desde a instalação da primeira freguesia aqui, em 1917, e dura até hoje. Começa sempre no dia 1º de junho e vai até o dia 13. Misturando o sagrado e o profano. Os festejos de Santo Antonio sempre foram realizados na praça e igreja Santo Antonio em nossa cidade. Mas teve um tempo que ficou sendo feito na Rua Alfredo Ferreira, enquanto a Igreja era reformada numa capelinha ali existente na época. Mas desde a renovação da igreja em 78 ela voltou a ser realizada lá na praça da igreja matriz novamente.

Santo Antônio, década de 30
Procissão de Santo Antonio, década de 30

A festa acontece em comemoração ao padroeiro da cidade que é o Santo Antonio. A igreja faz sempre um grande barracão para venda de comidas típicas e bebidas com a finalidade de arrecadar fundos para a paróquia local. Durante 13 dias de festa ininterrupta o Santo Antonio é a desculpa certa para quem quer encontrar um par. Os dias mais importantes são o dia 12, dos namorados, e o 13, dia de Santo Antonio.

O Trem da Estação

O Trem da Estação

Dona Elenízia acordava cedo aos domingos para ver a Maria Fumaça saindo da estação às sete horas com destino para Ilhéus e adiantava o almoço para vê o povo da cidade que chegava no trem das 11. Como ela não tinha dinheiro para viajar nesse transporte, se contentava em ficar na estação vendo o trem-de-ferro fazendo a volta na ponta de trilho que finalizava o trajeto Ilhéus-Itapira.

A estação era o ponto de encontro de muitas pessoas, era um divertimento a parte. A criançada às vezes esperava a hora do recreio para correr à estação e ficar a ver aquelas máquinas enormes com seus vagões de pessoas e mercadorias que chegavam ou saiam para Ilhéus, Água Preta, Itabuna ou para outros lugares.

Cachorro Assado

Ele dizia eu vou ali vender um negócio, mas já volto. Aí minhas amigas me falavam seu Piroca ta lá no Cachorro Assado, aí eu ia atrás, quando eu via ele tava grudado. Eu quebrava o pau, mas ele não queria voltar não. Hoje nos conta emocionada D. Eulina, ao se lembrar daquelestempos em que enciumada ao saber que seu marido estava se divertindo nos cabarés da cidade. E hoje24 os dois riem juntos daqueles episódios.

No tempo em que o dia de sábado, para a maioria dos homens, principalmente da zona rural, não era só dia de feira era também de ir no Cachorro Assado, rua famosa dos cabarés da cidade, naquele local era comum cenas de exuberância e extravagância. Se ainda existisse seria o lugar certo para se encontrar “mulher de vida livre” e estaria localizado das mediações do fórum até o posto de gasolina.

Candomblé
Candomblé

O Cachorro Assado não era só diversão não, era trabalho. Muita gente ia lá a trabalho sim, trabalho, despacho ou por religião mesmo. Os candomblés famosos da cidade funcionavam no final daquela rua. Se fosse hoje seria no final da Presidente Vargas, nas proximidades do posto de Gasolina ali existente. Era ali que muita gente de meio, e sem meio, se reuniam para cultuar suas divindades ou pedir uma forcinha extra para resolver ou causar alguns problemas.

O lugar era muito freqüentado. Haviam muitas casas de candomblés no Cachorro Assado, mas nenhum foi como o de D. Silvéria Martins, a casa da mãe de santo mais solicitada da cidade nas décadas de 50 a 70. Se fosse em época de eleição então...

 

No cinema

Aqueles filmes ou películas que diziam: Continua no próximo capítulo deixava muita gente apreensiva. Tinha que esperar a semana inteira para assistir ao final.

Dia de sábado, o cinema ficava lotado. As películas estrangeiras, comédias, ação ou super-heróis como o Zorro, eram as preferidas. Mas os filmes brasileiros também não ficavam para trás. Dia de chanchada dispensava propaganda. Propaganda essa que era feita ao final de cada sessão, no boca-a-boca e em cartazes feito à mão e afixado nos principais pontos da cidade, nas farmácias, bancos, prefeitura.

Para nós hoje, talvez achássemos tedioso assistir a um filme preto e branco, ainda por cima legendado. E o pior, umas legendas lentas que interrompiam o filme para aparecer. Mas na época o público adorava e sempre compareciam as sessões do cine-teatro.

A cidade de muitas ruas: desenvolvimento urbano II

A partir da década de 60, a cidade pacata e organizada urbanisticamente deu lugar a uma outra urbe. Com novos bairros, favelas e uma população não muito grande, mas cerca de 10 vezes maior que aquela dos anos 40, por exemplo.

 

 

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