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A EMANCIPAÇÃO

A Primeira Emancipação (a oficial)

Diversos foram os motivos que levaram Itapira a se emancipar em 1931, o principal deles foi a reorganização municipal ocorrida em todo o Estado nesse ano, aliado às pressões da sociedade local pela emancipação. Além do Descaso que a sede de Barra do Rio das Contas dava ao nosso distrito (Itapira).
Nos dias 8 e 23 de Julho de 1931, a Comissão de Organização Municipal rebaixou 34 municípios à categoria de subprefeitura,2 dentre eles, a vila de Barra do Rio de Contas a qual Itapira pertencia. Em contra-partida, a Comissão avaliou que o nosso distrito, na condição de subprefeitura, possuía melhores índices econômicos e mais infra-estrutura do que a sua sede. Por isso, passou a ser a sede do município e Barra do Rio de Contas foi rebaixado para distrito de Itapira.

O decreto que rebaixou Barra do Rio de Contas e elevou Itapira a sede, também determinava que todos os prefeitos dos municípios supressos deveriam entregar o cargo junto com um relatório de seus mandatos. Mas na época o então prefeito de Barra do Rio de Contas, Renato Laport, conseguiu continuar no cargo e se mudou para cá, onde foi prefeito até novembro do mesmo ano quando foi afastado.

Três meses após a reorganização estadual foram enviados encarregados para demarcar os limites dos novos municípios. Para Itapira veio o capitão Joaquim Monteiro Ribeiro. Após redemarcação das áreas, travou-se uma questão sobre os novos limites entre Itapira (Ubaitaba), Marahú (Maraú) e Camamú.
Os prefeitos daqueles dois municípios não aceitaram a nova demarcação das terras que foi estipulada para o território de Itapira e acusaram o prefeito Renato Laporte de irregularidades administrativas. Laporte pediu que o investigasse, após averiguações o capitão constatou diversas falhas comprometedoras, então o governo do Estado pediu que o encarregado dos limites territoriais continuasse no município e assumisse o governo de Itapira até que a Comissão Especial de Sindicância (atual comissão de Inquérito ou Comissão Processante) esclarecesse o caso.

Aberta essa sindicância, o tenente Ribeiro Monteiro verificou não somente no Serviço interno da prefeitura como na agência arrecadadora de Barra do Rio de Contas várias irregularidades que considerou muito graves (D. Tarde, 3 de dezembro de 1931, edição 1.108).
E assim Laporte foi afastado e o capitão Joaquim Ribeiro Monteiro foi interventor de Itapira por 28 dias, até o dia 16 de dezembro de 1931, quando foi nomeado para substituí-lo o coronel José Augusto Mendes. Por pressões políticas das autoridades e dos coronéis da antiga sede, Barra do Rio de Contas, a prefeitura foi reestabelecida novamente para aquela localidade em 23 de dezembro de 1931.Nessa mesma oportunidade Barra do Rio de Contas teve seu nome mudado para Itacaré.
Com isso, Itapira voltou a ser sub-prefeitura, ficando no cargo de sub-prefeito o médico Rui Santos. O município ficou assim dividido: Itacaré (sede), Itapira (sub-prefeitura), Catulé com sede no arraial de Faisqueira e o povoado de Gongogi.

Políticos
Após esse rebaixamento, a população Itapirense não se conformava em ter perdido a autonomia político-administrativa, não aceitava mais voltar a depender de Itacaré que praticamente não fazia nenhum investimento aqui na sub-prefeitura, apesar de cobrar altos impostos dessa localidade, por isso reivindicava do Governo Estadual a sua autonomia definitiva. Argumentava que Itapira já possuía estrada própria; não dependia de Itacaré nem para compra e nem para venda dos seus produtos; além de ter uma prosperidade comercial visivelmente melhor.
A população local juntamente com o sub-prefeito Rui Santos, que possuía alto prestígio junto as esferas estaduais e federais, buscava a todo custo a emancipação municipal que só veio a ocorrer um ano e meio depois.

A Segunda Emancipação (a oficial)

A 27 de Julho de 1933 o decreto Estadual de número 8.567 reconheceu Ubaitaba como independente do município de Itacaré. O decreto foi recebido com grande festa pela população local que tanto lutou por essa autonomia política.

Duas semanas após o reconhecimento Estadual, dia 15 de agosto, uma grande festa marcou a inauguração oficial do município de Itapira e o sub-prefeito foi nomeado prefeito desse município. Na ocasião estiveram presentes o juiz de Direito da Comarca de Itacaré o Dr. Manoel Leopoldo de Figueiredo; o Dr. Claudionor Alpoim, prefeito de Itabuna; Dr. Silvino Kruschewski, prefeito de Ilhéus; Aristides Ferreira, Itacaré; Dr. Francisco Xavier de Oliveira, orador oficial e os senhores Candido Pichane, Dr. Aristóteles Praranaguá, Dr. Rui Barbosa de Almeida, Manoel de Oliveira Lona, representante do arraial de Piraúna e demais cidadãos de Itapira e localidades vizinhas.

A cidade nos anos 50
Com a instalação do município, Itapira foi reconhecida vila outra vez e quatro anos mais tarde, 1937, passou a ser considerada uma cidade. Em 1938, Itapira compreendia o distrito-sede (Itapira) os distritos de Itajaí (Gongogi) e Destampina, povoado de Faisqueira e Piraúna. Possuindo nessa época uma população aproximada de 20 mil habitantes. Nesse mesmo ano, 1938, o nosso município perdeu o distrito de Destampina para Boa Nova (Jequié).
Mas isso não impedia o desenvolvimento da nossa cidade
que em 1943 conquistou a categoria de sede da comarca abrangendo diversas localidades, inclusive Itacaré, Aurelino Leal (na época com o nome de Itaipava) e Gongogi. Ainda em 43, no último dia do ano, Itapira muda o topônimo em homenagem a atividade das canoas no municipío e recebe o nome índigena UBAITABA,13 que quer dizer “cidade das canoas”.
A mudança do nome se deu por causa de vários motivos, principalmente porque a denominação de Itapira não representava o município autônomo, já que esse nome foi estabelecido no período em que essa localidade ainda pertencia a Itacaré, além disso, no Estado de São Paulo existia uma cidade chamada Itapira.
Ubaitaba continuou sendo a sede do município que compreendia o distrito de Itajaí, que hoje conhecemos como Gongogi e o povoado de Tapirama.14  Com a emancipação de Gongogi em 1954, Ubaitaba ficou apenas com dois povoados, Faisqueira e Piraúna que mais tarde foram elevados a distrito.